Crupe (Laringotraqueíte viral aguda)

Guia prático para manejo do crupe no pronto-socorro pediátrico: classificação de gravidade, nebulização com adrenalina, dexametasona e critérios de alta. Atualizado 2025.

Paciente típico: Criança de 6 meses a 3 anos com pródromos catarrais há 1-2 dias, evoluindo com tosse ladrante (metálica), rouquidão e estridor inspiratório, geralmente piorando à noite. Febre baixa e sem sinais de toxemia.

 

🩺 Guia rápido

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História clínica típica
# História Clínica
QP: "Tosse de cachorro" há ❓ dias

HDA: Mãe refere que a criança iniciou há ❓ dias com coriza hialina e 
obstrução nasal leve. Evoluiu com tosse seca característica ("latido de 
cachorro"), rouquidão e "chiado" ao respirar, mais intenso à noite.
Febre baixa (até 38,5°C). Nega dificuldade para engolir.
Nega sialorreia. Nega posição antálgica preferencial.
Melhora parcial com ar frio/úmido.

ISDA: Nega diarreia, vômitos, exantema. Aceita líquidos.

AP: Hígida, vacinação em dia.
Nega internações prévias. Nega atopias conhecidas.

Alergias: NEGA ALERGIAS MEDICAMENTOSAS CONHECIDAS

# Exame físico
REG, corada, hidratada, acianótica, anictérica
FR: ❓ irpm | FC: ❓ bpm | Tax: ❓°C | SatO2: ❓% em AA
Peso: ❓ kg

Orofaringe: hiperemia leve, sem exsudato, SEM sinais de epiglotite
Ausência de sialorreia ou disfagia
Pescoço: ausência de linfadenomegalias volumosas

AR: Estridor inspiratório [leve/moderado/grave]
[Com/Sem] tiragem intercostal
[Com/Sem] batimento de asa nasal
MV presente bilateralmente, sem RA

ACV: BRNF 2T, sem sopros

Abd: Flácido, indolor, RHA+

Neuro: Ativa, interagindo com o ambiente

# HD
- Laringotraqueíte viral aguda (Crupe) [leve/moderado/grave]

# Conduta
- Classificar gravidade (presença de estridor em repouso)
- Dexametasona VO ou IM (todos os casos)
- Nebulização com adrenalina (se moderado/grave)
- Observação 3-4h após adrenalina
- Alta se ausência de estridor em repouso
- Orientações de sinais de alarme
Classificação de Gravidade do Crupe
GRAVIDADE ESTRIDOR TIRAGEM ENTRADA DE AR CONSCIÊNCIA CONDUTA
LEVE Ausente em repouso, presente ao choro Ausente ou leve Normal Normal Dexametasona VO
MODERADO Presente em repouso Moderada Levemente diminuída Normal Dexametasona + Adrenalina NBZ
GRAVE Acentuado em repouso Grave + BAN Muito diminuída Agitado ou letárgico Dexametasona + Adrenalina NBZ + Observação rigorosa
IMINÊNCIA DE IRpA Pode estar ausente (exaustão) Paradoxal Mínima Obnubilado IOT de EMERGÊNCIA
Prescrição para paciente típico
Crupe LEVE (sem estridor em repouso):
01. Dexametasona 4mg/mL – Fazer ❓ mL, VO, dose única AGORA
    (Dose: 0,15-0,3 mg/kg – máx. 10 mg)

02. Dipirona 500mg/mL gotas – 1 gota/kg, VO, se febre (T ≥ 37,8°C) ou dor
    (máx.: 40 gotas/dose)

# Observação por 1-2 horas
# Alta com orientações se estável
Crupe MODERADO/GRAVE (com estridor em repouso):
01. Dexametasona 4mg/mL – Fazer ❓ mL (0,6 mg/kg), IM ou EV, dose única AGORA
    (máx.: 16 mg)

02. Nebulização com Adrenalina 1mg/mL (pura) – ❓ mL + SF 0,9% qsp 5 mL
    (Dose: 0,5 mL/kg – máx. 5 mL)
    Pode repetir após 30 minutos se necessário

03. O2 suplementar úmido se SatO2 < 92% - cateter nasal 1-2 L/min

04. Dipirona 500mg/mL (15mg/kg) – Fazer ❓ mL + AD qsp 20 mL, EV lento, 
    se febre ou dor

# Observação por 3-4 horas após nebulização com adrenalina
# Alta se ausência de estridor em repouso após período de observação
Para casa (após alta do PS):
01. Dexametasona 0,1mg/mL elixir ––––––––––– 01 frasco
    Tomar ❓ mL (0,15 mg/kg), VO, 1x ao dia, por mais 1-2 dias
    (somente se não recebeu dexametasona injetável no PS)

02. Dipirona 500mg/mL gotas ––––––––––– 01 frasco
    Tomar 1 gota/kg, VO, de 6/6h, se febre ou dor
    (máx.: 40 gotas/dose)

03. Paracetamol 200mg/mL gotas ––––––––––– 01 frasco
    ALTERNATIVA: Tomar 1 gota/kg, VO, de 4/4h ou 6/6h, se febre ou dor
    (máx.: 50 gotas/dose)

 


 

🏥 NO PRONTO-SOCORRO

 

 

 

 

 

 


 

🏠 PARA CASA

 

 

 

 


 

📋 CRITÉRIOS DE INTERNAÇÃO

CRITÉRIO CONDUTA
Estridor em repouso persistente após 3-4h de observação Internação para monitorização
Necessidade de >3 nebulizações com adrenalina Internação
SatO2 < 92% persistente em ar ambiente Internação + O2
Sinais de exaustão respiratória UTI Pediátrica
Suspeita de epiglotite ou traqueíte bacteriana Internação + ATB parenteral
Comorbidades (cardiopatia, pneumopatia, imunodeficiência) Baixo limiar para internação
Condição socioeconômica desfavorável/dificuldade de retorno Considerar observação prolongada

 


 

⚠️ DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

CONDIÇÃO CARACTERÍSTICAS DIFERENCIAIS
Epiglotite aguda Quadro agudo e fulminante, febre ALTA, toxemia, sialorreia, disfagia, posição em tripé, SEM tosse e SEM rouquidão, epiglote vermelho-cereja. EMERGÊNCIA - garantir via aérea!
Traqueíte bacteriana Geralmente pós-crupe viral, febre ALTA, piora progressiva, NÃO responde à adrenalina, secreção purulenta. ATB parenteral (Oxacilina/Vancomicina) + considerar IOT
Laringite estridulosa Início SÚBITO sem pródromos, despertar noturno com estridor, afebril, melhora espontânea rápida. Tratamento igual ao crupe
Aspiração de corpo estranho Início súbito durante alimentação ou brincadeira, história de engasgo, sibilos localizados. RX tórax + broncoscopia
Abscesso retrofaríngeo Febre, disfagia, rigidez de nuca, massa palpável, torcicolo. TC cervical + drenagem cirúrgica
Angioedema/Anafilaxia História de exposição a alérgeno, urticária, edema facial, hipotensão. Adrenalina IM + corticoide
Laringomalácia Estridor CRÔNICO desde primeiras semanas de vida, piora com choro/alimentação, melhora em prono. Nasofibrolaringoscopia

 


 

🔬 QUANDO SOLICITAR EXAMES

⚠️ ATENÇÃO: Na suspeita de epiglotite, NÃO manipular orofaringe e NÃO solicitar exames até garantir via aérea!

 


 

🔎 CID-10:


Revision #1
Created 30 November 2025 00:03:42 by Heric
Updated 30 November 2025 00:04:20 by Heric